É pecado falar palavrão?

boca

Sim, é pecado falar palavrão, xingar e até amaldiçoar. O apóstolo Paulo escreveu:

“Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.” (Efésios 4:29)

Para “torpe” nesse texto, foi usada a palavra grega σαπρος (sapros), que, de acordo com o léxico Strong, significa: “1) apodrecido, podre; 2) corrompido por alguém e não mais próprio para o uso, gasto; 3) de qualidade pobre, ruim, impróprio para o uso, sem valor” (Strong, G04550).

Uma palavra torpe é uma palavra pobre, suja, ruim e imprópria. Cristãos devem se expressar em linguagem conveniente (cf. Romanos 12:1-2). Quando dizemos palavras torpes, entristecemos o Espírito Santo (cf. Efésios 4:30).

O mesmo apóstolo nos lembrou ainda que falar obscenidades também é pecado:

“Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças. Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. Portanto, não participem com eles dessas coisas. Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso.” (Efésios 5:3-12)

Existem coisas que são tão vergonhosas e impróprias que não devem nem sequer ser mencionas nas rodas de conversas dos cristãos.

O apóstolo Pedro acrescentou que pronunciar insultos é errado. Muitas pessoas, em momentos acalorados de brigas e discussões, insultam ou são insultadas. Mas Pedro nos orientou a não falar coisas feias mesmo quando somos insultados:

“Não retribuam mal com mal nem insulto com insulto; pelo contrário, bendigam; pois para isso vocês foram chamados, para receberem bênção por herança. Pois, ‘quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança.’” (1 Pedro 3:9-11)

Por isso, “meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:19-20).

A vida dos cristãos deve espelhar a de Cristo (Romanos 8:29; 2 Coríntios 3:18), e Cristo jamais falaria um palavrão. Ao fazer a analogia tanto da água salgada quanto da água doce jorrando da mesma fonte (algo que não é característico das fontes), Tiago argumentou que não é característico que um cristão tenha tanto louvor quanto xingamento vindo de sua boca. Não podemos louvar a Deus e ao mesmo tempo amaldiçoar nossos irmãos:

“Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim! Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce.” (Tiago 3:9-12)

O Senhor Jesus disse:

“Considerem: uma árvore boa dá bom fruto; uma árvore ruim, dá fruto ruim, pois uma árvore é conhecida por seu fruto. Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom, do seu bom tesouro, tira coisas boas, e o homem mau, do seu mau tesouro, tira coisas más. Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras você será absolvido, e por suas palavras será condenado.” (Mateus 12:33-37)

O Senhor explicou que a boca fala do que está cheio o coração. Mais cedo ou mais tarde, o mal no coração sai pela boca em palavrões, xingamentos e maldições. Entretanto, quando nossos corações estão cheios da bondade de Deus, o louvor a Ele e o amor pelos outros serão manifestados (1 João 4:19-21). Nosso discurso sempre indicará o que está em nossos corações.

O pecado é uma condição do coração, da mente e do “homem interior” (Romanos 7:22), o qual se manifesta em nossos pensamentos, ações e palavras. Quando falamos palavrões, obscenidades, xingamentos ou maldições, estamos dando evidência do pecado que polui nossos corações; tal pecado deve ser confessado (1 João 1:8-9). Não podemos solucionar o problema do coração simplesmente trocando de vocabulário. Temos que permitir que o Espírito Santo encha nossos corações com atitudes e motivos novos. Dessa forma, a mudança de vocabulário será apenas uma feliz consequência da purificação de nossos corações. Quando colocamos nossa fé em Cristo, recebemos uma nova natureza de Deus (2 Coríntios 5:17), nossos corações se transformam e nossa fala reflete a nova natureza que Deus criou dentro de nós (Romanos 12:1–2). Felizmente, quando falhamos, o nosso grande Deus “é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1-2)