Jesus era vegetariano?

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Jesus era judeu e como tal obedeceu perfeitamente a Lei de Moisés. E essa mesma lei exigia que todos os judeus celebrassem a Páscoa:

“Toda a comunidade de Israel terá que celebrar a Páscoa.” (Êxodo 12:47)

Os Evangelhos mencionam especificamente Jesus celebrando três festas da Páscoa em Jerusalém. No entanto, para celebrar a festa, os participantes deveriam comer cordeiro assado, ervas amargas e pão sem fermento (Êxodo 12:3-8). Todo o cordeiro deveria ser comido durante a festa. Se houvesse sobras, elas deveriam ser queimadas (Êxodo 12:10). Se Jesus não comesse o cordeiro, Ele teria violado a Lei e poderia ter sido acusado de pecado:

“Diga o seguinte aos israelitas: Quando algum de vocês ou dos seus descendentes se tornar impuro por tocar algum cadáver ou estiver distante por motivo de viagem, ainda assim poderá celebrar a Páscoa do Senhor. Deverão celebrá-la no dia catorze do segundo mês, ao pôr-do-sol. Comerão o cordeiro com pães sem fermento e com ervas amargas. Não deixarão sobrar nada até o amanhecer e não quebrarão nenhum osso do cordeiro. Quando a celebrarem, obedeçam a todas as leis da Páscoa. Se, porém, um homem estiver puro e não estiver distante por motivo de viagem e ainda assim não celebrar a Páscoa, ele será eliminado do meio do seu povo porque não apresentou a oferta do Senhor na ocasião própria. Ele sofrerá as consequências do seu pecado.” (Números 9:10-13)

O Novo Testamento registra que Jesus celebrou a festa da Páscoa, o que incluiria comer cordeiro assado (Lucas 22:14-15). De fato, antes da última refeição da Páscoa, Jesus especificamente instruiu Seus discípulos a preparar a refeição, incluindo o cordeiro:

“Finalmente, chegou o dia dos pães sem fermento, no qual devia ser sacrificado o cordeiro pascal. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: ‘Vão preparar a refeição da Páscoa.’” (Lucas 22:7-8)

Além do mais, Jesus não somente comeu cordeiro assado, mas também peixe, em diversas ocasiões.

Jesus alimentou quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças, com peixes: “Quantos pães vocês têm?’, perguntou Jesus. ‘Sete’, responderam eles, ‘e alguns peixinhos’. Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. Depois de tomar os sete pães e os peixes e dar graças, partiu-os e os entregou aos discípulos, e os discípulos à multidão. Todos comeram até se fartar. E ajuntaram sete cestos cheios de pedaços que sobraram. Os que comeram foram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças” (Mateus 15:34-38). Isso significa que Ele não incentiva o vegetarianismo.

Após voltar dos mortos, os discípulos não creram na Sua ressurreição. Então Jesus comeu peixe na presença deles para provar que Ele era Ele mesmo, de carne e osso, e não um fantasma ou alucinação dos discípulos: “E por não crerem ainda, tão cheios estavam de alegria e de espanto, ele lhes perguntou: ‘Vocês têm aqui algo para comer?’ Deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles” (Lucas 24:41-43).

Jesus também promoveu a captura de peixes com o objetivo de consumi-los: “Ele lhes perguntou: ‘Filhos, vocês têm algo para comer?’ ‘Não’, responderam eles. Ele disse: ‘Lancem a rede do lado direito do barco e vocês encontrarão’. Eles a lançaram, e não conseguiam recolher a rede, tal era a quantidade de peixes… Quando desembarcaram, viram ali uma fogueira, peixe sobre brasas, e um pouco de pão. Disse-lhes Jesus: ‘Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar’. Simão Pedro entrou no barco e arrastou a rede para a praia. Ela estava cheia: tinha cento e cinquenta e três grandes peixes. Embora houvesse tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus lhes disse: ‘Venham comer’. Nenhum dos discípulos tinha coragem de lhe perguntar: ‘Quem és tu?’ Sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e o deu a eles, fazendo o mesmo com o peixe.” (João 21:5-6,9-14)

A partir disso, é óbvio que Jesus não era vegetariano.

É verdade que no princípio os humanos eram vegetarianos. Mas essa situação mudou após o dilúvio, quando Deus permitiu que Noé e sua descendência comessem todo tipo de carne: “Tudo o que vive e se move lhes servirá de alimento. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas” (Gênesis 9:3).

É verdade também que algum tempo depois, sob a Lei de Moisés, Deus proibiu a ingestão de carne de alguns tipos de animais, como o porco, que era considerado impuro. Mas permitiu a ingestão de outras como a do boi, da ovelha, do bode, do veado, da gazela, da corça, do antílope, entre outras (Levítico 11, Deuteronômio 14:3-20). Portanto, consumir carne de cordeiro e peixe era permitido para qualquer judeu, de modo que Jesus comer a carne desses animais não era uma violação da Lei.

Enquanto os israelitas peregrinavam no deserto, Deus fez o vento soprar forte e levar até eles codornizes do mar para que comessem, já que queriam carne (Números 11:4-6, 18, 31).

O apóstolo Pedro foi comandado por Deus a matar e comer animais de toda espécie de quadrúpedes, bem como de répteis da terra e aves do céu, mas se negou por achar que os animais fossem impuros. Deus o repreendeu e disse que ele não deveria chamar de impuro aquilo que Deus havia purificado (Atos 10:9-16). Quando foi que Deus purificou a carne? Quando Jesus, que é Deus (João 1:1,14; 1 Timóteo 3:16; etc.), disse: “Será que vocês também não conseguem entender?’, perguntou-lhes Jesus. ‘Não percebem que nada que entre no homem pode torná-lo ‘impuro’? Porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, sendo depois eliminado’. Ao dizer isto, Jesus declarou ‘puros’ todos os alimentos” (Marcos 7:18-19).

Portanto, já não há mais restrições quanto a ingestão de nenhum tipo de animal na Nova Aliança, nem mesmo de porco. A única proibição é comer carne sacrificada aos ídolos, para não entrar em comunhão com os demônios (1 Coríntios 10:20-22).

O apóstolo Paulo alertou que a proibição de comer certos alimentos é ensinamento de homens hipócritas e mentirosos, cuja consciência está cauterizada:

“O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada e proíbem o casamento e o consumo de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se for recebido com ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração.” (1 Timóteo 4:1-5)

O mesmo apóstolo disse ainda que aqueles que comem apenas vegetais têm a fé fraca:

“Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou.” (Romanos 14:2-3)

Crentes fracos na fé devem ser suportados pelos fortes (Romanos 15:1), mas não devem impor sua fraqueza sobre os outros, proibindo-os de comer carne (cf. 1 Timóteo 4:1-5).


Mas Daniel não era vegetariano?

Daniel, como todo judeu, comia carne de cordeiro na Páscoa. Portanto, ele não era vegetariano. Não há nada no livro de Daniel que conduza ao vegetarianismo. O primeiro capítulo do livro mostra simplesmente que Daniel e seus amigos se negaram a comer “das iguarias do rei” e optaram por um tipo de alimento vegetariano durante algum tempo. Setenta anos depois, vemos Daniel, já idoso, informando que ficou três semanas sem comer carne ou beber vinho, e mostra claramente que isso era excepcional, ou seja, normalmente ele comia carne (Daniel 10:3).

Pode-se até especular que em Daniel 1 eles não comeram carne pois os animais não eram abatidos segundo as normas judaicas, e em Daniel 10, tendo sido pessoa de comando no reino de Nabucodonosor por quase 70 anos, Daniel já teria condições de conseguir carne “limpa” para comer, mas isso é pura especulação.

O fato é que em Daniel 10:3 fica evidente que Daniel comia carne em situações normais, e isso os vegetarianos fanáticos escondem em todos os seus estudos para fazer mais adeptos.