Pedro é a Pedra da Igreja e o primeiro Papa?

Pedro

Jesus perguntou a Seus discípulos quem diziam os homens que Ele era. Eles responderam que os homens diziam que Ele era João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas. Então, Jesus perguntou quem eles diziam que Ele era. E Pedro respondeu que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16:13-17). E Jesus desse: “E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mateus 16:18).

Católicos afirmam que Jesus fez um jogo com as palavras Petros (Pedro) e petra (pedra), para indicar que Pedro é a pedra sobre a qual a Igreja foi edificada. Mas é evidente que existe diferença entre petros petra. O primeiro significa um “fragmento de rocha”; já o segundo significa uma “massa” de rocha. Ora, existe uma grande diferença entre uma massa rochosa e apenas um pedaço (fragmento) de uma. Corte uma rocha em pedaços e você terá um petros. Conserve uma massa rochosa inabalável e você terá uma petra!

Assim, é óbvio que Cristo estava se referindo a duas coisas diferentes, como o próprio léxico de Concordância nominal de grego e hebraico Strong, o mais reconhecido léxico grego de todos os tempos, atesta e confirma tal distinção:

kagw de soi legw oti su ei petroV kai epi tauth th petra oikodomhswmou thn ekklh sian kai pulai adou ou katiscusousin authV” (Mateus 16-18)

Petros (πετρος): “Aparentemente, palavra primária; um pedaço de rocha; como um nome, Petrus, um apóstolo: Pedro” (4074).

Petra (πετρα): “Feminino da Petrov – Petrus 4074, uma massa de rocha, literal ou figurativamente” (4073).

Dito em termos simples, Jesus disse a Pedro:

“Tu és PETRUS…” – Um fragmento de pedra.

E sobre a sua revelação:

“Sobre esta PETRA” – Uma rocha firme; uma massa de rocha.

Ou seja, Pedro é um fragmento de pedra edificado sobre a massa rochosa, que é a confissão de Pedro de ser Jesus o Cristo, o Filho do Deus vivo. Seria muito estranho que o fundamento da Igreja (petrus) fosse apenas um “fragmento” de pedra, e não uma massa rochosa. Fundamentos não são e nunca foram apenas “pedaços” de pedra! Fundamentos são massas firmes e inabaláveis de rocha. O fundamento é o próprio Cristo Jesus: “Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11).

O fato é que Jesus não estava rebaixando o nível de Pedro. Pelo contrário, ele estava reconhecendo Pedro como um pedaço de Pedra importante na Igreja, que estava edificada sobre uma pedra maior, uma massa de rocha inabalável, como o fundamento da Igreja, que é o próprio Cristo que ele havia confessado (Efésios 2:19-22; 1 Pedro 2:4-8).

Além disso, é válido salientar também o fato de que petrus é uma palavra masculina, enquanto que petra é uma palavra feminina. Portanto, ou Cristo estava se referindo a Pedro no feminino (o que seria um total absurdo, pois Pedro era homem!), ou então a referência do Senhor era sobre a (feminino) confissão dele, e não sobre o (masculino) próprio Pedro. É interessante notar que, mais tarde, Pedro descreveu Jesus como uma “pedra” (1 Pedro 2:8), usando a mesma palavra traduzida “pedra” (πετρα – petra) em Mateus 16:18. Portanto, a pedra da Igreja, como claramente Pedro afirmou, é Jesus.

Ademais, no original grego a palavra petra é um feminino singular e está na terceira pessoa, enquanto que petrus é um masculino plural e está na segunda pessoa. Essas diferenças são marcantes no grego e eliminam por completo as chances de a pedra ser o próprio Pedro, afinal, se a pedra fosse Pedro, Jesus teria deixado isso claro, e não lançado mão do contraste entre petrus e petra.

Quando Jesus falou a respeito de Jerusalém, Ele o fez nas seguintes palavras:

“Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados.” (Lucas 19:43) 

Este “sobre ti” vem do grego επι σε (epi se). Seguindo essa mesma lógica, Cristo poderia se referir a Pedro da mesma forma que fez com Jerusalém, sem rodeios e nem jogo de palavras, desta maneira: “…tu és Pedro, e sobre ti edificarei a minha Igreja…”. Entretanto, não foi isso o que Cristo fez. Ele lançou mão da diferença entre petrus e petra, pois a revelação de Pedro a respeito de Cristo é exata, pois Cristo é o único fundamento da Igreja (1 Coríntios 3:11). Pedro é retratado como sendo uma das colunas, e não o próprio fundamento da igreja: “Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim [Paulo] e a Barnabé em sinal de comunhão…” (Gálatas 2:9).

E isso está de acordo com o testemunho do próprio Pedro, que nunca disse ser a pedra da igreja, mas sempre afirmou que essa pedra era Jesus:

“Este Jesus é ‘a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular’. Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4:11-12)

Aqui, o Apóstolo cita Salmos 118:22, que fala sobre a pedra rejeita pelos construtores, e o aplica a Jesus, e não a si mesmo. A propósito, o próprio Senhor Jesus aplicou tal texto em referência a Si mesmo nos Evangelhos (Mateus 21:42; Lucas 20:17-18). Jesus também se referiu à Pedra como sendo a Sua Palavra, a qual é o único alicerce seguro para o homem (Mateus 7:24-25), e que Ele é a Palavra Viva (João 1:1; Marcos 8:38; João 3:34; 6:63,68; 17:8).

Na sua segunda carta, Pedro disse que ele (como os demais cristãos) eram “pedras vivas” edificadas sobre a pedra principal (angular), que é Cristo:

“À medida que se aproximam dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele — vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. Pois assim é dito na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado’. Portanto, para vocês, os que creem, esta pedra é preciosa; mas para os que não creem, ‘a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular’, e, ‘pedra de tropeço e rocha que faz cair’. Os que não creem tropeçam, porque desobedecem à mensagem…'” (1 Pedro 2:4-8).

Veja que aqui, além de Pedro citar novamente o Salmo 118:22, ele também cita Isaías 28:16, que diz: “Por isso diz o Soberano Senhor: “Eis que ponho em Sião uma pedra, uma pedra já experimentada, uma preciosa pedra angular para alicerce seguro; aquele que confia, jamais será abalado”.

O apóstolo Paulo disse que Jesus é esse “alicerce seguro” da igreja:

“Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo.” (1 Coríntios 3:11)

E Paulo escreveu isso justamente a alguns facciosos e sectários de Corinto que queriam pôr o próprio Paulo ou Apolo ou Pedro no lugar desse alicerce da igreja, o qual é Cristo! Veja:

“Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. Com isso quero dizer que cada um de vocês afirma: ‘Eu sou de Paulo’; ‘eu de Apolo’; ‘eu de Pedro’; e ‘eu de Cristo’. Acaso Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vocês? Foram vocês batizados em nome de Paulo? … Pois quando alguém diz: ‘Eu sou de Paulo’, e outro: ‘Eu sou de Apolo’, não estão sendo mundanos? … Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo… Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, seja o mundo, a vida, a morte, o presente ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo, de Deus.” (1 Coríntios 1:11-13 e 3:4, 11, 21-23)

Paulo também escreveu aos cristãos gentios em Éfeso, dizendo-lhes: “Vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor. Nele vocês também estão sendo juntamente edificados, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito” (Efésios 2:19-22).

O profeta Isaías falou da Pedra preciosa, angular, solidamente assentada (28:16) e da grande Rocha em terra sedenta (32:2). Quando Israel estava no deserto, Deus fez sair água das pedras para que eles tivessem o que beber (Números 20:11). Em 1 Coríntios 10:4, Paulo diz que esta Pedra era Cristo (ver também 2 Samuel 22:32; Salmos 18:31).

Quando Pedro fez sua declaração de fé, o fez em nome de todos os demais discípulos, pois a pergunta havia sido feita para o grupo. Nenhum dos discípulos jamais entendeu que Jesus estava concedendo a Pedro uma distinção especial entre eles, haja vista que continuavam discutindo sobre quem seria o maioral entre eles (veja Mateus 18:1). Caso Jesus tivesse dado a Pedro uma posição de liderança não haveria mais motivo para tanta discussão. Note que essa discussão ocorreu depois do acontecido em Mateus 16:13-17.

Os escritores do Novo Testamento jamais fizeram menção de qualquer autoridade revestida sobre Pedro. Ao contrário, como homem falho (não infalível como as católicos afirmam a respeito do Papa), Pedro foi algumas vezes repreendido pelo Senhor e por Paulo (Mateus 16:21-23; Atos 10:13-15; Gálatas 2:11-14).

Não há indicação alguma de que Pedro tenha sido o chefe da igreja primitiva. Quando o primeiro concílio reuniu-se em Jerusalém, Pedro apenas teve a função de introduzir o assunto (Atos 15:6-11). Tiago parece ter tido uma posição mais importante, assumindo a reunião, dando o seu parecer e fazendo o pronunciamento final (Atos 15:13-21). Em nenhum evento Pedro é referido como sendo “coluna” da Igreja. Ao contrário, Paulo fala de “colunas” (no plural), tais como “Tiago, Pedro e João” (Gálatas 2:9). Pedro nem mesmo foi o primeiro citado entre as colunas. Aliás, o próprio Paulo, e não Pedro, foi visto (erroneamente) como “o principal cabeça da seita dos nazarenos (os cristãos)” (Atos 24:5).

O historiador Eusébio cita uma declaração de Clemente de Alexandria, na qual ele afirma que no concílio de Jerusalém, Pedro, Tiago e João não disputavam pela supremacia da Igreja, mas que escolheram Tiago o Justo, para ser o líder entre eles (ver Atos 15).

Note que Agostinho de Hipona, um extremo conhecedor do grego e que escrevia no grego bíblico (Koiné) reconhecia que, de acordo com o original grego, a passagem deve ser interpretada de forma que a pedra é encontrada na profissão de fé de Pedro (no verso 16), e não no próprio Pedro como pessoa:

“Mas eu sei que em seguida expus, muito frequentemente, as palavras de Nosso Senhor: ‘Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja’, da forma seguinte: que a Igreja seria edificada sobre Aquele que Pedro confessou, dizendo: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo’. Assim Pedro (Petrus) que teria tomado o seu nome desta pedra (Petra), simbolizaria a Igreja que é construída sobre esta pedra e que recebeu as chaves do Reino dos Céus. Com efeito, não lhe foi dito: Tu és a pedra (Petra), mas: Tu és Pedro (Petrus), pois a Pedra (Petra) era o próprio Filho de Deus, Cristo. Simão Pedro, ao confessar Cristo como a Igreja inteira O confessa, foi chamado Petrus (Pedro)” (Retractações, cap. 21)

“E eu te digo… ‘Tu és Pedro, Rochoso, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus. O que ligares na terra será ligado também nos céus; o que desligares na terra será desligado nos céus’ (Mateus 16:15-19). Em Pedro, Rochoso, nós vemos nossa atenção atraída para a pedra. Agora, o apóstolo Paulo diz sobre o povo, ‘Eles bebiam da pedra espiritual que os acompanhava; e a pedra era Cristo’ (1 Coríntios 10:4). Assim, este discípulo é chamado Rochoso à partir da pedra, como Cristão a partir de Cristo. Por que eu quis fazer esta pequena introdução? Para te sugerir que em Pedro a Igreja é para ser reconhecida. Cristo, você vê, construiu sua Igreja não sobre um homem, mas sobre a confissão de Pedro. Qual é a confissão de Pedro? ‘Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo’. Lá está a pedra para você, lá está a fundação, lá está onde a Igreja tem sido construída, sobre a qual as portas do inferno não podem prevalecer” (The Works of Saint Augustine Sermons, Vol. 6, Sermon 229P.1, p. 327)

“Porque ‘Tu és Pedro’ e não ‘Tu és a pedra’ foi dito a ele. Mas ‘a pedra era Cristo’, em quem confessando, como também toda a Igreja confessa, Simão foi chamado Pedro” (Santo Agostinho, The Retractations Capítulo 20.1)

“Mas quem dizeis eles que sou? Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. Um de muitos deu a resposta, Unidade em muitos. Então disse-lhe o Senhor: ‘Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que te revelou, mas Meu Pai, que está nos céus’. Então Ele adicionou: ‘e eu te digo’. Como se Ele tivesse dito: “Porque tu tens dito sobre Mim: ‘Tu és o Cristo o Filho do Deus vivo’”; “Eu também te digo: ‘Tu és Pedro’”. Porque antes ele era chamado Simão. Agora este nome de Pedro foi lhe dado pelo Senhor, e em uma figura, que ele significaria a Igreja. Porque, visto que Cristo é a pedra (Petra), Pedro é o povo Cristão. Porque a pedra (Petra) é o nome original. Então Pedro é assim chamado de pedra; não a pedra de Pedro, como Cristo não é chamado Cristo à partir dos Cristãos, mas os Cristãos à partir de Cristo. ‘Então, ele diz, ‘Tu és Pedro, e sobre esta Pedra’, que tu tens confessado, sobre esta pedra que tu tens reconhecido, dizendo, ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, ‘eu edificarei Minha Igreja’; isto é, sobre Mim mesmo, o Filho do Deus vivo, ‘eu edificarei Minha Igreja’. Eu a edificarei sobre Mim mesmo, não Eu sobre ela” (Santo Agostinho, Sermão XXVI)

“Porque os homens que desejavam edificar sobre homens, diziam, ‘Eu sou de Paulo; e eu de Apolo; e ‘eu sou de Cefas’, que era Pedro. Mas outros que não desejavam edificar sobre Pedro, mas sobre a Pedra, diziam, ‘Mas eu sou de Cristo’. E quando o Apóstolo Paulo averiguou que ele foi escolhido, e Cristo desprezado, ele disse, ‘Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?’ E, como não no nome de Paulo, assim nem também no nome de Pedro; mas no nome de Cristo: que Pedro deveria ser edificado sobre a Pedra, não a Pedra sobre Pedro” (Santo Agostinho, Sermão XXVI.1-4, pp. 340-341)

“Porque a Pedra (Petra) era Cristo; e sobre este fundamento foi o próprio Pedro edificado. Porque outro fundamento não pode ser lançado além do qual já está posto, que é Cristo Jesus” (Volume VII, Santo Agostinho, Tractate 124.5)


E quanto às chaves do Reino dos céus que Pedro recebeu do Senhor?

“Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus.” (Mateus 16:19)

“As chaves do Reino dos céus” não foram dadas somente a Pedro, mas também a todos os discípulos: “Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu” (Mateus 18:18). E significam autoridade para pregar o Evangelho, aceitando novos membros verdadeiramente convertidos e excomungando os apóstatas, como o próprio Jesus evidenciou nos versículos anteriores, isto é, Mateus 18:15-17. Pedro fez uso dessas chaves ao rejeitar na comunidade o casal de mentirosos Ananias e Safira, em Atos 5:1-10, e ao aceitar, juntamente com os outros apóstolos, multidões de novos membros em todo o livro de Atos dos Apóstolos. Em 1 Coríntios 5:5 e 1 Timóteo 1:20, Paulo também faz uso dessas chaves.


Pedro foi o primeiro papa?

Como o papa é o líder da igreja católica, e os católicos afirmam que Jesus fundou a igreja católica sobre Pedro, eles dizem que Pedro foi o primeiro papa. Mas há razões bíblicas suficientes para rejeitar tal ideia.

  1. Pedro era casado.

Os papas não se casam. Mas Pedro era casado, pois tinha sogra (Mateus 8: 14-15). Os católicos afirmam que ele era viúvo, já que a esposa não foi mencionada. Isso até pode ser verdade, mas não prova que Pedro tenha permanecido solteiro para o resto da vida, haja vista que Paulo, ao reivindicar seus direitos apostólicos, afirmou que os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro tinham esposa: “Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro?” (1 Coríntios 9:5).

As Bíblicas católicas traduzem a palavra “esposa” neste texto como “mulher”, para despistar o sentido do texto, valendo-se do fato de a palavra grega γυνη (gune) também tem esse sentido. Entretanto, em determinados contextos, “mulher” pode ser entendida como um sinônimo para “esposa”, tanto é que até hoje os homens casados se referem a sua esposa como “minha mulher”. Quando Deus criou uma esposa para Adão (Eva), ela foi chamada de mulher (Gênesis 1:27; 2:23-25). E a Bíblia diz ainda: “O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha” (Gênesis 2:25). Mas, a principal razão pela qual gune, em 1 Coríntios 9:5, significa “esposa” é que Paulo usou essa mesma palavra ao falar que um dos requisitos que os bispos/presbíteros/pastores (estes três termos se referem à mesma pessoa – veja Atos 20:17,28; Tito 1:5,7; 1 Pedro 5:1-2) devem preencher é ser “marido de uma só mulher” (1 Timóteo 3:2 e Tito 1:6), e o próprio Pedro disse ser um presbítero (1 Pedro 5:1-2). Então, certamente, ele era casado, o que Paulo disse claramente em 1 Coríntios 9:5.

Ademais, o argumento de Paulo, em 1 Coríntios 9, é claro: Como os outros apóstolos, incluindo Pedro e os irmãos do Senhor, ele também teria direito à manutenção de sua esposa (veja 1 Coríntios 9:6-14), se fosse casado (veja 1 Coríntios 7).

E, como sabemos, o papa é considerado o “Bispo universal” da Igreja Católica, mas ele não cumpre os requisitos episcopais de Deus de se casar e ter filhos (1 Timóteo 3:2-4 e Tito 1:6). O que muitos católicos consideram blasfemo (um bispo casado e com filhos) é, de fato, um requisito bíblico para os bispos. E o que muitos católicos consideram um símbolo de pureza e sacrifício altruísta (celibato papal) é desobediência à Palavra de Deus.

Hoje, embora a Igreja Católica permita o casamento para seus membros, proíbe o casamento entre aqueles que participam do papel de bispo (assim como muitos sacerdotes, monges e freiras). O apóstolo Paulo (a quem muitos defensores católicos apelam para a argumentação em favor do celibato) escreveu: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada e proíbem o casamento e o consumo de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem e conhecem a verdade” (1 Timóteo 4:1-3). A Igreja Católica proíbe o casamento quando proíbe um bispo de se casar. Afasta-se da fé quando rejeita os requisitos divinos para os bispos e, em vez disso, exige o contrário. A proibição do casamento é uma falsa doutrina sobre a qual o Espírito Santo nos advertiu.

Paulo era solteiro (1 Coríntios 7), mas não era bispo de nenhuma igreja local e nunca reivindicou esse título para si, diferentemente de Pedro (1 Pedro 5:1-2). Paulo dizia-se simplesmente um “ministro do Evangelho”, “Apóstolo do Senhor” etc., mas nunca “bispo”. Sobre os bispos, ele disse claramente que devem ser casados (1 Timóteo 3:2; Tito 1:6), e que Pedro com certeza era casado (1 Coríntios 9:5).

Por fim, cabe destacar ainda que Pedro nunca reivindicou para si o título de “Bispo Universal” da Igreja, mas apenas de “presbítero” (bispo/pastor) da igreja local: “Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada: Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória” (1 Pedro 5:1-4). Ele afirmou também que só Jesus é o Bispo Universal da Igreja: “Pois vocês eram como ovelhas desgarradas, mas agora se converteram ao Pastor e Bispo de suas almas” (1 Pedro 2:25).

  1. Pedro nunca foi chamado de papa.

Jesus disse que Seus discípulos nunca deveriam imitar o mau exemplo dos fariseus, que gostavam de ser chamados de rabis (mestres), pais e chefes:

“Mas vocês não devem ser chamados ‘rabis’; um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos. A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus. Tampouco vocês devem ser chamados ‘chefes’, porquanto vocês têm um só Chefe, o Cristo. O maior entre vocês deverá ser servo.” (Mateus 23:8-11)

Este texto não diz respeito a chamarmos nosso genitor humano de pai, algo que é permitido pela Escritura (cf. Êxodo 20:12; Efésios 6:2-3). Em vez disso, o contexto deixa claro que Jesus estava exortando a multidão e os Seus discípulos a não serem hipócritas como os fariseus e os doutores da Lei, que gostavam de ser chamados rabis, pais e chefes, como se fossem infalíveis à semelhança do próprio Deus. Jesus diz, então, que só um é o Rabi, o Pai e o Chefe: Aquele que está no Céu.

Infelizmente, os católicos cometem o erro que Jesus condenou, pois chamam o seu líder espiritual de Papa. O título Papa vem da palavra grega papas, que significa pai. Quando o Papa proclama por um ato definitivo uma doutrina pertinente à fé e à moral, ele é considerado infalível (o que evidentemente é heresia, como vimos no post O Papa é infalível?).

Lamentavelmente, em vez de admitir o seu erro, os católicos tentam justificá-lo. Eles costumam argumentar o seguinte:

“Paulo era pai espiritual de Timóteo.”

Paulo foi um pai espiritual de Timóteo (1 Coríntios 4:15), a quem ele se referiu como sendo seu “amado filho” (2 Timóteo 1:2). Porém, como vimos no contexto das palavras de Jesus em Mateus 23:8-11, Ele se referia a considerar o mestre infalível. Ele não se opunha a termos mentores espirituais falíveis. E certamente Paulo nunca foi considerado infalível como Deus, tanto é que até o seu ensino foi avaliado pelas Escrituras pelos crentes de Beréia (Atos 17:10-11). Paulo teve o cuidado de instruir seus filhos espirituais a que somente fossem seus imitadores “como eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Demonstrar respeito devido ao nosso líder espiritual é uma coisa (cf. 1 Timóteo 5:17), mas dar-lhe obediência incondicional e a reverência que somente a Deus devemos dar é outra coisa completamente diferente.

“Protestantes chamam o pregador de pastor, mas só Jesus é pastor.”

Sim, por incrível que pareça, muitos católicos argumentam isso. Segundo eles, os protestantes não têm moral para criticá-los por chamar seu líder de “Papa” porque chamam o pregador de “pastor”, pois Jesus disse “Eu sou o Bom Pastor” (João 10:11). O problema com esse argumento é que em nenhum versículo da Bíblia é dito que só Jesus é pastor, mas que só Jesus é “o Bom Pastor” (João 10:11), “o grande Pastor das ovelhas” (Hebreus 13:20) e “o Supremo Pastor” (1 Pedro 5:4). Mas Jesus ordenou que Seus discípulos cuidassem das Suas ovelhas (João 21:15-17). Paulo disse que Jesus “designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” (Efésios 4:11). Veja também Hebreus 13:17.

Na Bíblia, os líderes espirituais da igreja foram chamados de bispos/presbíteros/pastores (estes três termos se referem à mesma pessoa – veja Atos 20:17,28; Tito 1:5,7; 1 Pedro 5:1-2), inclusive Pedro, que se dizia “presbítero”, e não “papa” (1 Pedro 5:1-2), apesar de os católicos insistirem que ele foi o primeiro papa.

Então, embora só Jesus seja o Supremo Pastor, os líderes que Ele designou para cuidar das Suas ovelhas são chamados de pastores também, e não de “papas” infalíveis. Só Jesus é infalível.

Conclusão:

Simplesmente não há menção ao ofício de Papa nas Escrituras. E definitivamente as Escrituras condenam crer que um mero mortal é infalível. Ademais, os líderes da igreja, na Bíblia, sempre foram chamados de pastores, e não de papas. Os católicos estão, portanto, errados e precisam reconhecer isso.

  1. Pedro não vivia no meio do ouro.

Quando um aleijado de nascença pediu esmolas para Pedro e João na porta do Templo, Pedro tomou a palavra e disse-lhe: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande” (Atos 3:6).

Pedro não tinha prata nem ouro. Como então ele pode ter sido o primeiro papa se hoje os papas vivem no meio da prata e ouro e todo o luxo de Roma? Parece piada levantar esse questionamento, mas é a mais pura verdade.

 

 

 


Conclusão

Dizer que Pedro é a pedra da Igreja, além de deturpar as palavras de Cristo e usurpar o lugar que é só dEle (pois Cristo é que é a Pedra da Igreja, como Isaías, o salmista, Pedro e Paulo afirmaram), contradiz o testemunho do próprio Pedro, que afirmou categoricamente que Cristo é que é a pedra da Igreja (Atos 4:11-12; 1 Pedro 2:4-8). Além do mais, a crença de Pedro como primeiro Papa também não possui nenhum respaldo bíblico. Portanto, devemos rejeitar tais ideias heréticas e blasfemas!

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