A Terra segundo a Bíblia

Imagem ateísta que será refutada:


A FORMA DA TERRA

“Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar” (Isaías 40:22)

A palavra traduzida como “círculo” aqui é a palavra em hebraico chuwg, que também pode ser traduzida como “circuito” ou “bússola” (dependendo do contexto). Ou seja, ela indica algo esférico, arredondado ou arqueado – não algo que é plano ou quadrado. O livro de Isaías foi escrito aproximadamente entre 740 e 680 anos a.C. São pelo menos 300 anos antes de Aristóteles sugerir, em seu livro Sobre os Céus, que a Terra talvez fosse uma esfera.

 Na verdade, a forma mais exata da Terra é de um geoide, pois ela é ligeiramente achatada nos pólos, o que também se encaixa no conceito de esfericidade da palavra “chuwg”. Assim, vemos que de fato a Bíblia indica a forma mais exata da Terra.


ABISMO

A palavra “abismo” aparece em diversas passagens da Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento. Os ateus geralmente citam essas passagens para dizer que a Bíblia está falando de um grande “precipício” ao redor do planeta, de forma que se alguém fosse caminhando, poderia chegar no final da Terra, onde haveria um grande abismo.  Um dos versículos mais utilizados é Provérbios 8:27-29:

“Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo, quando estabelecia o firmamento em cima, quando se firmavam as fontes do abismo, quando ele fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando traçava os fundamentos da terra.”

A palavra hebraica traduzida como “abismo” é tehóhm, que significa literalmente “água de profundeza, águas empoladas ou oceano primevo”.  Quando aparece na Bíblia, essa palavra geralmente se refere às profundezas do oceano, e não a um “buraco profundo ao redor do planeta”, como imaginam os ateus. O uso da palavra “abismo” para traduzir esse termo hebraico começou através da Septuaginta grega. Algumas traduções bíblicas traduzem esse termo diretamente como oceano. Vamos comparar algumas traduções.

“O abismo diz: Ela não está em mim; e o mar diz: Não está comigo.” (Jó 28:14 – Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada)

O mesmo versículo em outra tradução diz:

“O Oceano afirma: ‘Aqui não está’, e o Mar diz: ‘Aqui também não’.” (Jó 28:14 – Tradução Linguagem de Hoje)

Note que o tal “abismo” nada  mais é que o oceano.

 

Vejamos mais uma passagem.

“Nasci quando ainda não havia abismos, quando não existiam fontes de águas” (Provérbios 8:24 – Tradução Nova Versão Internacional)

Mas em outra tradução:

“Nasci antes dos oceanos quando ainda não havia fontes de água” (Provérbios 8:24 – Linguagem de Hoje).

Assim, não restam dúvidas de que o “abismo” bíblico nada mais é que o próprio oceano. Esse “precipício imaginário” dos ateus só existe na cabecinha deles!

Vamos analisar agora Jó 26:10:

“Marcou um limite circular sobre a superfície das águas…”

Esse é outro versículo que os ateus citam para “provar” que a Bíblia descreve a Terra como um disco achatado. Para os eles, esse “limite circular” do qual o versículo fala está nas extremidades desse círculo, impedindo que as águas do mar caiam no abismo. Ele funcionaria como uma espécie de “barragem”.

Porém, o versículo é bem claro ao dizer que esse limite está na superfície das águas, e não nas laterais. E a Terra está “sobre as águas” (Sl 136:6; 24:2). Isso quer dizer apenas que a superfície das águas ficam um pouco abaixo da superfície da terra.


ABÓBODA DO CÉU

“Não está Deus na altura do céu? Olha para as mais altas estrelas, quão elevadas estão! E dizes: Que sabe Deus? Pode ele julgar através da escuridão?  Grossas nuvens o encobrem, de modo que não pode ver; e ele passeia em volta da abóbada do céu.” (Jó 22:12-14)

A palavra hebraica traduzida como “abóboda” é raqia, significando realmente um objeto sólido. Entretanto, o sentido não é determinado pela origem da palavra (etimologia), mas pelo uso da mesma. Quando referindo-se à atmosfera sobre a terra, “firmamento” com certeza não significa algo sólido. Isso é evidente por várias razões.

  • Primeiro, a palavra raqia (forjar, desenrolar) é traduzida corretamente em algumas versões como o verbo “expandir”.
  • Segundo, o sentido básico de “desenrolar” pode ser usado independentemente de “forjar”, como ocorre em várias passagens (cf. Sl 136:6; Is 42:5; 44:24). Isaías escreveu: “Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz” (Is 42:5). Este mesmo verbo é empregado com o significado de estender cortinas ou tendas dentro das quais morar; vemos isso, por exemplo, em Isaías 40:22: “… é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar”.
  • Terceiro, a Bíblia menciona a chuva que cai do céu (Jó 36:27-28). Mas isso não teria sentido se o céu fosse uma abóbada.
  • Quarto, o relato da criação em Gênesis fala de aves que voam “sobre a terra, sob o firmamento dos céus” (Gn 1:20). Mas isso seria impossível se o céu fosse sólido. Assim, é mais apropriado traduzir raqia como o verbo “expandir”, cujo sentido não conflita com o conceito de espaço da ciência moderna.

Assim, quando tudo isso é levado em consideração, não há evidência de que a Bíblia esteja afirmando que o firmamento é uma abóbada. E, portanto, não há conflito algum com a ciência moderna.

(Manual Popular de Dúvida, Enigmas e “Contradições” da Bíblia, Norman Geisler e Thomas Howe, p. 146.)


O “MOVIMENTO” DO SOL

“O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.” (Eclesiastes 1:5)

“[Deus] o que dá ordens ao sol, e ele não nasce; o que sela as estrelas”. (Jó 9:7)

Os ateus utilizam esse versículo para “provar” que  a Bíblia ensina o geocentrismo e que, ao completar sua volta sobre a parte de cima da Terra plana (dia), o Sol passa rápido por baixo da Terra e volta novamente para iniciar outro dia.

Essa interpretação dos ateus tem vários problemas. Expressões como “o Sol nasce” ou “o Sol se põe” são utilizadas até os dias de hoje, e bem sabemos que o Sol não se movimenta em torno da Terra. Essas são uma expressões populares que indicam apenas o aparente movimento do Sol a um observador humano.

Algumas versões bíblicas dizem que o Sol “se apressa” a voltar ao lugar onde nasce. Isso também é apenas uma forma de expressão que nem aparece em todas as traduções.  Na Tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida, por exemplo, esse versículo foi traduzido da seguinte forma:

“E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, de onde nasceu.”

O que o contexto desse versículo está tentando mostrar é que o sol prossegue o seu caminho predeterminado sem indicar qualquer mudança. Além disso, os hebreus já tinham noção da duração exata do dia e da noite (12 horas diurnas e 12 horas noturnas), como indica a palavra hebraica “yom” (Dia = espaço de 24 horas, de sol a sol), porém naquele tempo eles preferiam dividir o dia em “vigílias”, ao invés de frações de horas. Portanto, a alegação de que o Sol volta “correndo” ao seu ponto inicial não faz o menor sentido. É apenas uma forma de expressão utilizada por algumas traduções bíblicas.

O Senhor Jesus, ao falar sobre o arrebatamento da Igreja, disse que esse evento ocorrerá durando o dia e a noite ao mesmo tempo:

Naquele dia, quem estiver no telhado de sua casa, não deve descer para apanhar os seus bens dentro de casa. Semelhantemente, quem estiver no campo, não deve voltar atrás por coisa alguma. […] Eu lhes digo: Naquela noite duas pessoas estarão numa cama; uma será tirada e a outra deixada” (Lucas 17:31-34).

Como pode um avento único acontecer durante o dia e durante a noite ao mesmo tempo? Isso seria impossível na Terra plana dos ateus. Porém, é perfeitamente possível numa Terra esférica (enquanto é dia em um hemisfério, é noite no outro).


O MUNDO ESTÁ FIRME E NÃO PODE SER ABALADO

“Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.” (Salmo 96:10)

Os ateus usam esse versículo (e outros semelhantes) no intuito de dizer que a Bíblia ensina que a Terra está sobre colunas e, portanto, “firme e inabalável”.

No entanto, a própria Bíblia deixa bem claro que a Terra está suspensa sobre o nada: “Ele estende o norte sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada.” (Jó 26:7).

Então como entender a afirmação de que Deus “firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado”? Esse versículo quer dizer apenas que Deus firmou o mundo com o poder da Sua Palavra, e, portanto, ele não pode ser abalado. É o que vemos em Hebreus 1:3: “… [O Senhor] sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder…”